quarta-feira, 27 de outubro de 2021

O maior trem do mundo

 

“No meio do caminho/ Tinha um poeta / Tinha Drummond no meio do caminho.”

Vou pegar o maior trem do mundo. Cruzar e subir as serras pontiagudas de Itabira, tomar meu café quente com pão de queijo, recitar Drummond e todo o sentimento do mundo. Ele disse que amar se aprende amando. Então, vou até Órion e te trazer uma estrela de presente ou quem sabe buscar uma Rosa do Povo, para perfumar a estante da tua biblioteca.

Meu trem segue sinuoso, os vagões se requebram, um anjo torto diz que é preciso ser poeta, mesmo quando há uma pedra no meio do caminho. Falam que poeta tem um quê de melancolia, por isso, não se mate, Carlos, o amor é um Claro Enigma. E nessa quadrilha, João amava Teresa que amava Joaquim...

Danço versos, amo mesmo é viajar nesse trem maior do mundo. Em cada estação, embarca um poema, um sonho. E as setes faces de cada passageiro, vejo aqui refletidas nas janelas, que exibem fantasmas de nós.

 Mas o que preciso mesmo, Carlos, é contemplar o rio Doce, mais vale um vale de prosa do que um vale de minério. E esse trem serpenteando, aninha-se nas entranhas desses morros com suas minas vazias e meu coração entristecido.

E agora, José? Sabe Deus, o que será? Nas incertezas, só me contento em entender se o destino dessa viagem, continuará a ser redigido em estrofes. E para cada estação, levo esses versos de Itabira.

Ah, Carlos! Meu coração prossegue modernista, assim como você. E eu me resumo e te estudo, nas tuas três fases. É verdade, Carlos, o mundo é vasto e você não se chama Raimundo, você não é uma rima e nem mesmo uma solução.

Tu és gauche, porque essa é a sina de ser poeta. Ver o mundo com os olhos de ternura e compaixão.  Escrevemos a vida, mas é ela quem nos traça o verso final. É Carlos, esse trem apita, grita, anuncia a nossa partida.

Seguimos e vamos aonde? Se a festa acabou, nada mais nos resta. Itabira, agora vai ficando para trás, com suas serras e vales, ruas e casinhas que sorriem ao lado dos postes, enquanto cães ladram para alguns passantes.

Adeus, Itabira, você pode ter perdido seu ouro, mas não o seu poeta...

Português Amoroso XXXI

Uma traça

traça seu trajeto,

nas páginas de um livro

de Drummond.

Traçou poesia.

 

 

 

 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

01 ano de Português Amoroso!

A publicação do meu livro "Português Amoroso" completou 01 ano e ganhará uma comemoração especial em uma live nesta Sexta-feira, 22 de Outubro, às 20h, no Instagram da CASA Projetos Literários: @casaprojetosliterarios . A live é aberta ao público e anunciará novidades especiais para os leitores fãs do livro e para os fãs de poesia em geral.

Participe desta celebração comigo!




Bem-vindo(a)!

Agradeço a sua visita no blog/site "Português Amoroso". Visite sempre e participe das postagens deixando seus comentários.

Aqui vou postar poesias, contos e crônicas de minha autoria, deixando o convite para leitura.

Desejo que você tenha momentos agradáveis por este site!

Com carinho,

Mayanna Velame