domingo, 2 de janeiro de 2022

Por favor, ensina-me a amar!

 

Venha, anoitece agora. O Sol se despede do Ocidente, para despertar do outro lado do mundo e queimar os corações vazios. Rezo uma oração, todas as vezes que você se encolhe em meus braços curtos e quentes. Aperto-te forte, para que esqueças das feridas riscadas sobre tua pele já cansada.

Então, venha! Não temos muito tempo. Contudo, enquanto ele se distrai com o balé das horas, permaneço aqui contigo, nessa luta brusca que é viver. E tudo aquilo que nos é permitido, devemos abraçar como se fosse nossa última e única missão.

 Por favor, venha! Agora assistimos ao nascimento das joias de Deus a despontar no horizonte. Veja o formato delas, de como cintilam, de como piscam, conforme o ritmo que mais lhes agradam.

 Por isso, venha! Não há fuso horário, linhas ou meridianos que nos separem. Dos traços imaginários, prometo desenhar uma ponte que sirva de passagem para nossa união: o amor.

Venha, porque das dores amorteço a certeza de que o amanhã é uma folha em branco, que logo será escrita com letras tortas ou lineares, versos datilografados de talvez...

Então, venha! Porque a vida, meu amor é o sopro do vento, a neblina da manhã, a chuva de verão, o sorriso roubado e o beijo sonhado. Venha, porque não podemos desprezar os gestos de amor e muito menos a Lua, que belisca as pontas do teu telhado.

Venha, segure firme! Você sabe que o tempo é o mestre dos ponteiros e o relógio é apenas o seu subordinado.

Portanto, venha! Pois entre o ontem e o amanhã, o agora é tesouro achado, nas mãos daqueles que amam, até nos últimos instantes dessa epopeia, que singularmente nos abraça.

Amor, venha! Amanhece agora, o orvalho umedece o teu coração fadigado. Daqui a pouco, o Sol surgirá imponente para encorajar os homens e mulheres, queimará nossas tristezas e aquecerá nossas alegrias.

Venha e se algum dia meteoros caírem sobre nós... Eu e você seremos fragmentos estrelares a divagar pelo universo.

 

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